Cinema ParadisoCINEMA PARADISO - palestrante
ELENCO:  Philippe Noiret, Jacques Perrin, Salvatore Cascio. (2h 04min) Direção: Giuseppe Tornatore
Nos anos que antecederam a chegada da televisão em uma pequena cidade da Sicília, o garoto Toto (Salvatore Cascio) ficou hipnotizado pelo cinema local e iniciou uma amizade com Alfredo (Philippe Noiret), projecionista que se irritava com certa facilidade, mas tinha um enorme coração. Todos estes acontecimentos chegam em forma de lembrança quando Toto (Jacques Perrin), agora um um cineasta de sucesso, recebe a notícia de que Alfredo faleceu.

Sinópse por Andrés von Dessauer - O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Os clássicos italianos CINEMA PARADISO de Giuseppe Tornatore (1988) e O BAILE de Ettore Scola (1983) possuemem comum as tomadas em ambientesfechados e, a convergência de várias gerações em seus respectivos roteiros. Sem falar que, seja por meio da música ou do cinema,quaisquer desses trabalhos tratam da fuga da realidade através da arte. Baseado em uma peça francesa, O BAILE, um filme mudo, recebeu três Césars (França) e quatro Donatellos(Itália).  Já o CINEMA PARADISO,no quesito premiação,galgou um Oscar, um Globo e um Bafta (Inglaterra). 
As semelhanças, no entanto,param por aí já que em O BAILE o protagonismo se dilui diante da força de diversas personagens que, de tão fellinianas,quase se confundemcom aquelas saídas do Studio 5, presente norenomado Cinecittà. CINEMA PARADISO,por sua vez, trata da história da cinematografia a partirdo cinema faladoe o faz sob aperspectiva de seu protagonistaprincipal Salvatore (vulgoTotó).
Na estória de Tornatore, para os habitantes de um velho vilarejo da Sicília,ir ao único cinema dessa comunidade seria equiparável a passar algumas horas no paraíso, com direito a guloseimas e flertes (não necessariamente nessa ordem). Beijar, todavia, estava fora desse pacote. Pois, a censura, institucionalizada ou auto imposta, impunha que qualquer beijo cinematográfico (do ‘selinho’ ao ‘aspirador de pó’) fosse, literalmente,recortado da tela e condenado ao banimento aparentemente, perpetuo.
Ao reconstruir o recinto, investidores nortistas teriam posto fim a essa pena extrema. Em um claro exemplo de que,‘o dinheiro sensualiza’ (Geldmachtsinnlich),como diria Bertold Brecht. Ademais, a posterior substituição da casa de projeção, por um investimento diverso,toca em uma realidade muito comum que, na atualidade, resulta na quase extinção dos cinemas autônomos (leia-se:aqueles desvinculados de shoppings ou de outros edifícios comerciais). 
Com sensibilidade impar e, cortes precisos, Tornatore correlaciona a evolução da liberdade cinematográfica com o desenvolvimento pessoal do seu próprio protagonista(Salvatore / Totó). Com efeito, em uma narrativa quase auto biográfica esse diretor, nascido na Bagheria (uma pequena cidade da Sicília), mostra como a força motriz das paixões juvenis pode ser bem sucedida quando direcionada à profissão. Também merece destaque o exercício metalinguístico desse trabalhono qual, o cinema fazendo cinema discursa sobre si mesmo. E, tudo isso embalado pela música do consagrado compositor Ennio Morricone. 
Bom, no mais, segundo a ciência, beijar estimula o cérebro a produzir endorfina, substância responsável pela sensação de bem-estar e prazer. E quanto mais intenso esse ato melhor, pois, um bom beijo pode trabalhar com até 29 músculos da face, contribuindo, assim, para queima de calorias e para a firmeza da pele. Claro que, no calor dos acontecimentos, ninguém pensa nesses aspectos. De todo modo, é mais um motivo para assistir a esse belo trabalho cinematográfico de ode à paixão em seu mais amplo sentido.